O que é?

A Oxigenoterapia Hiperbárica é uma modalidade médica terapêutica que consiste na inalação de oxigênio puro (100%), estando o indivíduo submetido a uma pressão 2- 3 vezes maior do que a pressão atmosférica ao nível do mar, no interior de um equipamento denominado Câmara Hiperbárica;

Desta forma, consegue-se obter, além dos 100% de saturação da hemoglobina, um aumento significativo do oxigênio livre não ligado à hemoglobina que, dissolvido no plasma, alcança os tecidos comprometidos pela deficiência de oxigênio. Nestas condições, observa-se a normalização dos processos de cicatrização de feridas e a potencialização do efeito de alguns antibióticos no combate efetivo de várias infecções. Devido a estes efeitos da Oxigenoterapia Hiperbárica sobre os tecidos, o método é indicado como tratamento principal ou adjuvante a diversas doenças, agudas ou crônicas, de natureza isquêmica, infecciosa, traumática, inflamatória e refratária aos tratamentos convencionais.

Mecanismos de ação:

A Oxigenoterapia Hiperbárica consiste na inalação de oxigênio puro (100%) em um ambiente com pressão 2- 3 vezes maior do que a pressão atmosférica ao nível do mar, sendo este o único método terapêutico, conhecido e comprovado, capaz de aumentar de forma significativa o volume de oxigênio dissolvido no plasma sanguíneo. Para melhor compreensão sobre o funcionamento deste tratamento, precisamos relembrar algumas leis da física sobre os gases ideais:

# LEI DE BOYLE-MARIOTTE: “Em um sistema fechado em que a temperatura é mantida constante, verifica-se que determinada massa de gás ocupa um volume inversamente proporcional a sua pressão”. MAIS PRESSÃO = MENOS VOLUME

# LEI DE HENRY: “A quantidade de gás que se dissolve num meio líquido, a uma determinada temperatura, é diretamente proporcional à pressão do gás sobre o líquido”. MAIS PRESSÃO = MAIS GAS DISSOLVIDO NO LIQUIDO

Com o aumento da pressão ambiente durante uma sessão de Oxigenoterapia Hiperbárica, o volume do gás oxigênio é reduzido (Lei de Boyle) e este oxigênio se dissolve no sangue do paciente (Lei de Henry). Desta forma consegue-se obter, além da saturação de 100% da hemoglobina, um aumento significativo do volume de oxigênio livre não ligado a hemoglobina. O volume de oxigênio dissolvido no plasma sanguíneo, que é desprezível a pressão atmosférica ao nível do mar, durante a sessão de Oxigenoterapia Hiperbárica aumenta muito, podendo atingir uma quantidade suficiente para suprir os consumos celulares totais do corpo humano em repouso, sem necessitar do oxigênio ligado a hemoglobina. Este oxigênio dissolvido no plasma é distribuído através da corrente sanguínea, aumentando em até 20 vezes a quantidade de oxigênio dissolvido em todos os tecidos do corpo e consecutivamente, no local comprometido pela deficiência de oxigênio. A hiperoxigenação tecidual causada pela Oxigenoterapia Hiperbárica desencadeia uma série de efeitos benéficos que culminam na normalização dos processos cicatriciais, sendo alguns deles:

VASOCONSTRIÇÃO / REDUÇÃO DO EDEMA

A hiperoxigenação provoca uma vasoconstrição generalizada, auxiliando no controle do edema inflamatório. Devemos ressaltar que, apesar desta vasoconstrição, devido ao aumento da quantidade de oxigênio dissolvido no plasma sanguíneo, continua ocorrendo um incremento muito grande na oxigenação dos tecidos.

NEOVASCULARIZAÇÃO / MELHORA DA PERFUSÃO MICROVASCULAR

Sabe-se que a alternância entre hiperoxia/hipoxia constitui o principal estimulo para a neovascularização. Durante a sessão de Oxigenoterapia Hiperbárica ocorre uma hiperoxigenação dos tecidos e ao seu término a concentração de Oxigênio decai gradativamente, resultando em uma hipóxia relativa nos tecidos afetados. Portanto, entre uma sessão e outra de OHB esta alternância é alcançada, estimulando a angiogenese. Outro efeito já bem estabelecido da OHB é o da melhora da perfusão microvascular, relacionado ao estimulo da síntese de óxido nítrico (NO) pelo oxigênio hiperbárico.

AÇÃO ANTIMICROBIANA

Em um ambiente hipóxico a capacidade fagocítica dos polimorfonucleares fica prejudicada, predispondo os tecidos a infecções de repetição. Ao reverter a hipóxia tecidual, a OHB restaura esta defesa, auxiliando no controle das infecções em meios isquêmicos e/ou hipóxicos. A própria hiperoxigenação possui ação bactericida, exercendo efeito inibitório no crescimento e na produção de toxinas da maioria dos anaeróbios. Ocorre também um sinergismo entre a hiperóxia e a maioria dos antibióticos, principalmente os aminoglicosídios, cefalosporinas, cloranfenicol, clindamicina e vancomicina.

PROLIFERAÇÃO DE FIBROBLASTOS

Os fibroblastos, células responsáveis pela produção de colágeno, tem suas funções prejudicadas pela deficiência de oxigênio, retardando todo o processo cicatricial. A OHB ao fornecer a quantidade adequada de oxigênio para o funcionamento destas células restaura a produção de colágeno, essencial para a angiogenese e a cicatrização dos ferimentos.

ATIVIDADE OSTEOBLÁSTICA E OSTEOCLÁSTICA

A baixa tensão de oxigênio nos tecidos ósseos comprometidos (osteonecrose, osteorradionecrose, osteomielite) compromete sua regeneração. A OHB ao fornecer níveis fisiológicos ou supra fisiológicos de oxigênio consegue reestabelecer a atividade celular local e consequentemente o processo de cicatrização. Apesar do seu potente efeito, a OH não deve ser usada como medida única, devendo sempre estar associada ao tratamento convencional;

BENEFÍCIOS

Aumenta a quantidade de Oxigênio dissolvido no plasma sanguíneo, melhorando determinadas situações patológicas que resultam da hipóxia tecidual;

    

É a única maneira de aumentar o fornecimento de oxigênio para as células desfavorecidas, propiciando um ambiente ideal para a cicatrização das lesões;

Faz parte de uma soma de recursos terapêuticos a fim de evitar que lesões evoluam para complicações graves;

Reduz o tempo de internação hospitalar;

Reduz o sofrimento do paciente, possibilitando prévio retorno as suas atividades laborais e sociais, restituindo sua qualidade de vida;